segunda-feira, 31 de outubro de 2011

28 - ATO Nº 01 - APURAÇÕES DAS ELEIÇÕES NO FEUDO OESTE

Abrem-se as cortinas. Inicia os preparativos para a contagem dos votos que legitimará os vencedores nas urnas na eleição majoritária no FEUDO OESTE. Na platéia os figurantes principais fazem-se presentes. Todos estavam ansiosos, suas fisionomias atestavam o nervosismo, a dúvida do veredito final. Os candidatos aos cargos de Rei/Rainha, Príncipe/Princesa e Duque /Duquesa andavam de um lado para o outro aguardando o início da apuração. 

As urnas começavam a chegar. Primeiro a do Castelo, em seguida às da Província Central e lentamente às das Províncias mais distantes. A Província dos indecisos foram os últimos a entregarem as urnas no salão de apuração.


A baixa temperatura anunciava a entrada na madrugada. Os ânimos acirravam, mas a ternura equilibrava o desconforto. Afinal, estávamos próximos da comemoração da vitória da democracia. As projeções estatísticas e opinativas de boca de urna indicavam que os governos do Rei Frederico II, o mal Coroado e dos seus filhos Hades, o Príncipe Cuquinha e Medusa, a Princesa dos Espinhos Venenosos respiravam ofegantes, faltava ar, os órgãos principais davam sinais de falência.

A contagem iniciou. A tensão tomava conta dos corpos e mentes de Nobres e Plebeus que estavam trabalhando no processo de escrutinação dos votos. De repente, não mais que de repente, após a contagem da primeira urna, os presentes que pertenciam ao movimento da retomada da democracia no FEUDO OESTE soltaram suas vozes e começaram a gritar: A casa de Saúde é nossa, A casa de Saúde é nossa, A casa de Saúde é nossa (...). O clima era de Festa.

Algo esperado aconteceu: Nobres e Plebeus, após um longo tempo de sofrimento em seus ambientes de trabalho, responderam silenciosamente nas urnas ao Rei Frederico II e a toda família Real qual é o pensamento e a vontade da maioria dos trabalhadores. Votaram na liberdade, na esperança, no fim da repressão, da perseguição, do desrespeito ao próximo. Entenderam que a bandeira branca pede passagem.



Irradiantes de alegria, de felicidade, repletos de vida, de sonhos, Nobres e Plebeus do Castelo e das outras Províncias cantavam: A Casa de Saúde é Nossa, A Casa de Saúde é Nossa (...). Cada urna encerrada ampliava as manifestações. Os dados estatísticos projetados nas planilhas dos membros da comissão central mostravam o caminho para a vitória. O dia D simbolizava, materialmente, o dia da Democracia.

Sentada em um dos bancos da sala de apuração, uma das aduladoras do Rei Frederico II, o Impostor, tirou um lenço preto do bolso e enxugou o suor amarelado que tomava conta da face de Hades. A esperança de vitória tornava-se distante para o Príncipe Cuquinha. O sonho em continuar mandando e desmandando em Nobres e Plebeus estava com as horas contadas. O sonho em assumir o lugar do seu pai, Rei Frederico II, o mal Coroado caía por terra.

O que fazer? Esta pergunta inquietava, perturbava a família Real.   Aguardar o processo chegar ao seu final e, num gesto de convivência civilizatória parabenizar o vencedor, desejando boa sorte e bom trabalho, é uma atitude louvável de um homem público. Era o desejo de Nobres e Plebeus vivenciar este momento histórico.




Mas o gesto cordial, de homem público, não ocorreu. Disfarçadamente o Príncipe Hades, o Arquiteto da Intervenção, saiu da sala de apuração antes de finalizar a contagem. Cabisbaixo, dirigiu-se até a sua carruagem moderna deixando para traz, inclusive, seus correligionários. Um ato pequeno, sem vida, igual a dos filisteus do século XIX.  Lembrem-se sempre: A bandeira branca pede passagem. Até breve!

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