quarta-feira, 7 de março de 2012

34 - FELIZ ANO VELHO NO FEUDO OESTE -A DESPEDIDA DO REI FREDERICO II

Zero hora. Os ponteiros do relógio posicionam-se na vertical. As senhoras, dúvida e certeza, iniciam uma batalha incontrolável nas mentes de Nobres e Plebeus que vivem no Castelo, nas Províncias e na Casa de Saúde do FEUDO OESTE. Uma pergunta retumbava aos mais atentos neste momento desejado: O velho que se esvai, cria em si o novo, o inovado ou o oportunismo?
 Criador e criatura entrelaçam-se na linha do tempo. O conteúdo, presente no invólucro místico da forma, mostrava-se inquieto. Como apreender, compreender e, quando possível, analisar este campo real de possibilidades? Nobres e Plebeus, inquietos com o existente que se apresentava enquanto absoluto, anunciam o desejo de querer viver este momento.
O tempo, demarcado matematicamente inquietava.  Afinal, o desejado último dia do Reinado de Frederico II, o mal Coroado, anunciava o seu ritual final.
 O relógio, de cor dourada, fixado na parede central da sala principal do Castelo, objeto de possíveis expressões de liberdade e opressão na vida cotidiana dos seres sociais, infernizava a alma de Vossa Majestade.  Gotas de suor escorriam lentamente em sua face direita indicando a posição política de seu Reinado. Postado à sua frente, distante alguns metros da poltrona Real, os ponteiros, pintados pelas cores amarela e azul, sinalizavam para a finalização de uma era.
 Antes do sino da Catedral do Castelo romper o silêncio, o inesperado aconteceu. Rei Frederico II levantou-se, desceu as escadas lentamente e saiu pela porta lateral do Castelo. Cabisbaixo, sem manifestar arrependimento, não suportou ouvir o toque silencioso do encontro dos ponteiros e gritou: “não me deixe só, eu tenho medo do escuro, eu tenho medo do inseguro, dos fantasmas da minha voz.”  

E agora Nobres e Plebeus! Qual a garantia que temos em relação ao novo, expressão de possíveis rupturas e continuidades no espaço velho, movediço e repleto de mistérios?
- Muitas! Algumas ou Nenhuma?  Até breve!

sábado, 19 de novembro de 2011

33 - OS ÚTIMOS SUSPIROS DA CONDESSA DÓ NO CASTELO DO FEUDO OESTE


No Castelo do FEUDO OESTE encontramos trabalhadoras (es) possuidoras de características pessoais e profissionais muitíssimas diferentes, repletas de determinações. Um verdadeiro encontro da diversidade presente nas mulheres e homens que servem ao público. Porém, como em qualquer outro espaço coletivo, sempre encontraremos alguém que diferencia dos demais, chamando a atenção da maioria dos que convivem no mesmo ambiente. Este fato inusitado é digno de delicados comentários entre Nobres e Plebeus que trabalham  do FEUDO OESTE.
Estamos falando da Condessa Dó – a ABELHUDA -. Franzina, aparentando um pouco mais da meia idade, estressadinha e determinada em seus encaminhamentos burocráticos. Uma das suas habilidades, ou melhor, que Condessa Dó entende que possui, é planejar. Quando o assunto é planejamento ela fica empolgada, transpira mais que o normal, seus olhos arregalam-se e sua voz muda de tom, emitindo vocábulos estridentes e ofegantes. Dizem que o cenário fica mais colorido quando suas verdades, no campo dos números, tabelas e quadros são questionadas.  
Condessa Dó – a ABELHUDA - é reconhecida no Castelo pelos seus vôos rasantes e por fazer muita cera. Devido ter declarado voto de castidade quando era adolescente, todos afirmam que a Condessa Dó vive em total abstinência dos prazeres sensuais. Na condição angelical de vida celibatária é vigiada, diariamente, pelo seu primo Conde Zangão, o X 9, responsável no Castelo pela pasta -Excelência Acadêmica na Pesquisa -.
Mas, o que deixa Condessa Dó irritadíssima? Os questionamentos preliminares diários emitidos por Nobres e Plebeus do FEUDO OESTE. Não suporta ouvir críticas a respeito das suas ações ditatoriais; cria dificuldades para discutir com o outro a respeito das atividades educacionais; quer transformar o espaço público em pequenas empresas privadas, reduzindo ao máximo o número de trabalhadoras (es) das Províncias e da Casa de Saúde. Este sintoma lembra a máxima do empreendedorismo tupiniquim: “pequenas empresas, grandes negócios”. Uma falácia que não dá sustentação a ninguém, somente à estressadinha Condessa Dó – a ABELHUDA -
Acontece que Nobres e Plebeus, vivenciando uma nova experiência a partir da Vitória da Democracia não querem mais a presença da Condessa Dó – a ABELHUDA e do Conde Zangão  o X 9 - no Castelo. Um abaixo assinado  veiculado solicitando que ambos retornem para as suas atividades de origem, aprimorando suas habilidades na Província Central em praticar vôos rasantes, fazer muita cera e continuar exercitando serviços de espionagem a mando do Rei Frederico II, o FRE-FRE.  
Lembrem-se sempre: A bandeira branca pede passagem! Até breve.!!!

32 - GASPARZINHO: O COMANDANTE FANTASMA NO CASTELO DO FEUDO OESTE


Gasparzinho é uma figura enigmática no Castelo do FEUDO OESTE. Filho legítimo do Rei Frederico II, o FRE-FRE, é amado por todos da família Real, em particular pelos seus irmãos HADES, o Príncipe Cuquinha e MEDUSA, a Princesa dos Espinhos Venenosos.  Dizem que seu meio-irmão, MEDONTE, filho bastardo de FRE-FRE, desconfia que o fim da sua carreira política no FEUDO OESTE foi articulado por Gasparzinho.
Nobres e Plebeus sabem que Gasparzinho existe, mas a maioria dos mortais que vivem no FEUDO OESTE não sabe que ele tem uma função importantíssima no Castelo. O motivo do desconhecimento é patente: sua insignificância técnica e política na operacionalização das suas atividades no Castelo fizeram com que o desrespeito a sua autoridade o descredenciasse pela função que possui – responsável pela pasta que envolve diretamente os estudantes das Províncias e da Casa de Saúde -. Carinhosamente, Gasparzinho é conhecido no Castelo como o COMANDANTE FANTASMA. 
Gasparzinho é educado, discreto e prestativo ao seu pai, principalmente em situações difíceis, momentos em que as relações da família Real estão dilaceradas. A última contribuição efetiva deste simpático herdeiro da família Real ocorreu durante o processo das eleições majoritárias que aconteceram no final do último inverno e início da primavera. Atendendo ao pedido especial de seu pai, dedicou-se integralmente para eleger seu irmão HADES, o Arquiteto da Intervenção, ao cargo de Rei.
Um soldado fiel. Entregou-se de corpo e alma à sua missão. Decidiu sobre o plano de gestão de HADES, construiu textos para a campanha, distribuiu panfletos em todas as Províncias, no Castelo e na Casa de Saúde e acompanhou seu irmão em todas às apresentações públicas. Aplaudiu, gritou não muito alto, pois sua voz é de timbre ameno, incentivou os apoiadores e, nos momentos mais difíceis do pleito, ofereceu seu ombro amigo a HADES, o Príncipe Cuquinha. Quem viu, disse que Gasparzinho, o COMANDANTE FANTASMA, enxugou muitas lágrimas.
Mas, felizmente, a população trabalhadora do FEUDO OESTE reagiu politicamente à farsa em movimento. Ignoraram sua presença. Atentos, Nobres e Plebeus lembraram que quando mais precisaram, Gasparzinho estava sempre nas nuvens, distante de qualquer compromisso cotidiano. Nunca decidia nada, sempre alegava que não tinha poderes e precisa ouvir seu pai, o Rei mal Coroado. Gasparzinho mostrou que é um personagem com personalidade frágil para assumir espaços deliberativos no Castelo.
Os trabalhadores aprenderam: “nem tudo que reluz é ouro”. No processo de enfrentamento com a Corte souberam, com diplomacia e determinação categorial, qual o caminho a percorrer; aprenderam que são portadores de poder, que sabem que a verdadeira ação individual entrelaça-se com a coletiva, pois o verdadeiro fim tem que ser de interesse coletivo, apesar de todos terem suas preferências individuais. Nobres e Plebeus responderam à Gasparzinho e à família Real depositando o recado nas Urnas. Votaram na Democracia.
E agora Gasparzinho? A festa acabou.  Não é possível continuar escondido. A manipulação não consegue resistir por muito tempo à verdade coletiva.  Qual será o seu próximo destino? Desenvolver suas atividades no espaço celestial? Ou vai pisar em terra firme e descansar na Província em que BARTOLOMEU será o Príncipe? Ou irá colocar em prática a sua Excelência Acadêmica aperfeiçoando conteúdos para tornar-se ermitão?
Talvez, revisitar o mundo do além possa ser para Gasparzinho, o COMANDANTE FANTASMA do FEUDO OESTE, uma saída confortada, porém decadente.
Lembrem-se sempre: A bandeira branca pede passagem! Até breve!!!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

31 - ATO Nº 04 – A DEMOCRACIA VENCE O DRAGÃO NO FEUDO OESTE


A presença de Vossa Majestade Rei Frederico II, o mal Coroado, na reunião do Conselho Superior do FEUDO OESTE surpreendeu a todos. Nobres e Plebeus, alguns atentos e a maioria sonolentos, escutavam cuidadosamente cada palavra proferida pelo Rei.



O Dragão, durante o período eleitoral no FEUDO OESTE, ficou escondido em sua toca preferida, na Província da Tríplice Fronteira durante algumas semanas, planejando as táticas eleitorais para conseguir que seu filho HADES, o Arquiteto da Intervenção, galgasse ao posto de Rei. Também era matéria de sua preocupação reeleger sua filha MEDUSA, a Princesa dos Espinhos Venenosos e garantir que seu Neto, Bartolomeu, o visionário, se elegesse para o Cargo de Comando da Província que HADES, o Príncipe Cuquinha, governa.
Solícito, com tom de voz equilibrado, tudo indicava que iria manter-se sereno até o momento final da reunião. Algo inusitado para a maioria dos Conselheiros presentes acostumados a conviver com sua tirania e vociferação grosseira, desrespeitosa, autoritária, de Vossa Majestade, digna de um Rei Impostor, mal Coroado.
Mera ilusão. No decorrer da reunião, no momento em que todos estavam distraídos alterou o seu comportamento emocional. Rei Frederico II, o Dragão das Montanhas Inférteis, com sorriso maroto, tentou provar que é Rei Impostor, tentou mostrar sua força: “mirou para o quadro afixado na parede, (fotografia do Castelo do Feudo Oeste) disposto acima da mesa com garrafas de café, próximo a HADES, o Príncipe Cuquinha, e disparou sua tocha de fogo venenosa mortífera.” Queimar, simbolicamente o Castelo do FEUDO OESTE, imagem que representa a existência unificada de Nobres e Plebeus das Províncias e da Casa de Saúde, era a sua grande meta.
Mas, para a sua surpresa, o quadro resistiu, apenas deslizou-se da parede e caiu sobre a mesa. Um momento de apreensão, um encontro de suspense e medo. Naquele instante, o Rei mal Coroado revelou, publicamente, o limite da sua força, explicitando abertamente uma mistura de farsa e tragédia, o quanto enganou e oprimiu a Nobres e Plebeus por meio das suas ações repressivas.  Rei Frederico II, o Dragão das Montanhas Inférteis, que cuspia fogo em todas as direções, naquele momento foi destituído simbolicamente do trono. O Dragão perdeu sua força. A experiência democrática nas eleições o deixou atordoado, imobilizado. A democracia nocauteou o Dragão Rei Frederico II, o Impostor.
A partir deste momento, Nobres e Plebeus passaram a chamá-lo de Dragão FRE-FRE. Sua trompa encolheu, seu fogo transformou-se em pó, o nada tomou conta da sua existência. A família Real entra em processo definitivo de decadência.


Será que este fogo, agora sem força, sem poder mortífero, deixará FRE-FRE “sem eira nem beira”? Quem vai ampará-lo? Tudo indica que, ao deixar o Castelo, será acolhido pelo seu neto, Bartolomeu, filho de HADES. Mas, por que FRE-FRE não voltará para a toca da Tríplice Fronteira? Será que sua filha, MEDUSA, irá abandoná-lo, ou prefere acolher seu irmão HADES, exímio em Excelência Acadêmica, para escrever e contar algumas historinhas de Pinóquio?
Lembrem-se sempre: A bandeira branca pede passagem! Até breve!

30 - ATO Nº 03 – UMA TARDE INESQUECÍVEL NO CASTELO DO FEUDO OESTE

O dia amanheceu ensolarado.  Nobres e Plebeus transitavam descontraídos pelas ruas e ruelas do FEUDO OESTE. Os mais atentos às coisas do espírito contemplavam a beleza que a natureza, em sua plena nudez, oferecia. Um cenário mágico, alucinante, belo, digno de ser apreciado e vivido individual e/ou acompanhado. 




Um dia especial. As autoridades pertencentes à família Real se preparavam para participarem da reunião do Conselho Superior no Castelo. Um evento para ser registrado nos anais da história das vidas de Nobres e Plebeus que trabalham no Castelo, nas Províncias e na Casa de Saúde. O cenário estava organizado para receber, no período da tarde, os Conselheiros da Corte, assessores e aduladores ligados diretamente ao Rei Frederico II, o mal Coroado. Confirmaram presenças, também, Nobres e Plebeus defensores incondicionais da retomada da democracia no FEUDO OESTE. Elementos de festividade e nostalgia preenchiam as relações no ambiente, dentro e fora da sala de reuniões dos Conselhos Superiores. Aos sons das trombetas, da exposição de faixas, bandeiras e cartazes, o evento anunciava o início do fim de uma era.
Do lado de dentro da sala de reuniões, a maioria dos Conselheiros acomodavam-se em suas cadeiras aveludadas. Alguns davam sinais de apreensão, de nervosismo, outros irradiavam manifestações de alegria, de vitória nas urnas. Afinal, ter que reafirmar um princípio democrático solapado pelas autoridades Rei Frederico II, Conde de Sabugosa e HADES, o Príncipe Cuquinha, no verão de 2008, é uma vitória de todos que participaram ou não do processo eleitoral.  A conquista ganhou notoriedade coletiva.
O sol garantia, com seus raios luminosos, o espetáculo democrático, tocando com sutileza nas almas dos presentes. Devido o adiantado da hora, todos os Conselheiros já estavam posicionados para o início da reunião.  Do nada, o silêncio preencheu o ambiente da sala de reuniões do Conselho Superior. Rei Frederico II, o mal Coroado deu sinal de vida, apareceu para presidir a reunião, surpreendendo a todos como um raio em céu azul. 


 Ao seu lado, o Vice-Rei, Conde de Sabugosa - o Bufão II - com semblantes caídos, se posicionava civicamente. Despercebidos, deram as mãos e entraram pela porta dos fundos da sala. Não estavam sós: HADES, o Príncipe Cuquinha e o BOBINHO DA CORTE, estavam sentados à direita na mesa de reuniões e MEDUSA à esquerda. Um belíssimo encontro. Afinal, é importante em ambientes familiares, ser receptivo com o outro, acolhê-lo em momentos difíceis, de nostalgia, de desencontro, frustrado com o desejo almejado e não realizado.



Neste momento, sentado na posição central da mesa, Rei Frederico II, o Interventor, respirou ofegante e, na qualidade de presidente do Conselho Superior do Castelo do FEUDO OESTE, declarou aberta a sessão pública. Antes de ler o conteúdo da pauta em questão disse: “saibam que neste momento, não sou eu que me navego quem me navega é o mar-.” Poucos entenderam a frase poética de efeito, porém estava claro que tudo poderia acontecer neste evento institucional.  O Rei Frederico II e o Conde de Sabugosa, o Bufão II, autoridades máximas, entregaram nas “mãos de Deus” o destino dos acontecimentos.
Aberta a sessão, velhos e jovens resistentes históricos, na qualidade de Nobres e Plebeus, começaram a gritar: “Viva a Democracia, Viva a Democracia, Ditadura Nunca Mais, Ditadura Nunca Mais!” Aberta para discussão e votação da matéria principal do dia, os candidatos vencedores, Rei/Vice-Rei, Príncipes/Princesas e Duque/Duquesas foram aclamados eleitos pelos membros do Conselho Superior do FEUDO OESTE.


Mas, ainda uma perguntinha inquietava a todos: “Por onde andava Rei Frederico II, o mal Coroado, durante o período eleitoral no FEUDO OESTE?” Em conversas informais diziam que ele estava em sua casa de campo em companhia da Rainha Madrasta, a Traidora, realizando leituras que tratavam do tema da Democracia Burguesas. (...) Será?
Lembrem-se sempre: A bandeira branca pede passagem. Até breve!

29 - ATO Nº 02 – O INÍCIO DO FIM DE UMA ERA NO FEUDO OESTE

Na sala de apuração da eleição majoritária do FEUDO OESTE, Nobres e Plebeus, aguardavam ansiosamente o início da contagem dos votos.  Um acontecimento histórico, digno de comemoração, de festividade democrática. Sentimentos de magia e realidade, de certezas e incertezas, de tristeza e alegria tomavam conta dos Nobres e Plebeus neste cenário repleto de possibilidades. Ao mesmo tempo, ansiedade, angústia, nervosismo, inseguranças do que há de vir preenchia os corações e mentes dos presentes.


Aos poucos, um contingente expressivo de correligionários dos candidatos em disputa pelos cargos de Rei/Rainha, Príncipe/Princesa e Duque/Duquesa das instâncias institucionais do FEUDO OESTE começava preencher os espaços da sala de apuração. Separada por uma fita de cor vermelha e preta, a comissão eleitoral de forma competente, em todos os sentidos, garantiu que os apuradores desenvolvessem suas atividades em condições reservadas e com qualidade.
Do outro lado da fita, Nobres e Plebeus davam sinais de manifestação do dever cumprido. Apertos de mãos, abraços, sorrisos na face de alguns e sentimentos contidos na expressão de outros. Vivia-se um momento célebre de comemoração democrática. Um verdadeiro espetáculo de vivência de cidadania, de espírito público.  A bandeira branca, hasteada no canto esquerdo da sala, dava demonstração que estava nascendo um novo tempo, apesar dos perigos.
Muitos perguntavam: Por onde anda Rei Frederico II, o mal Coroado? Esta indagação não era possível de ser respondida de imediato, mas uma hipótese ganhava fundamento: alguém que durante seu Reinado não esteve presente nos espaços de trabalho de Nobres e Plebeus no Castelo, nas Províncias e na Casa de Saúde, não irá aparecer neste momento de festa democrática. Caso este fato se efetivasse, algo estranho poderia ocorrer. Afinal, Rei Frederico II, o Impostor, nunca teve simpatia às deliberações públicas. Cumpri-las, não é uma qualidade que adquiriu com o passar dos anos. Tampouco compreende que as virtudes morais não se adquirem por meio do ensino, da educação, mas pelo exercício repetitivo de atos humanos. 


Mas, apesar do desencontro, a família Real fez-se representada.
HADES, o Príncipe Cuquinha, Arquiteto da Intervenção, MEDUSA, a Princesa de Espinhos Venenosos, A Rainha MADRASTA, a traidora, MEDONTE, o filho bastardo, o nostálgico, O BOBINHO DA CORTE - Comandante da Casa de Saúde - e ERVIRA, a Rainha das Trevas, juntaram-se aos Nobres e a massa de plebeus para acompanhar o processo de apuração. Alguns assessores e muitos aduladores acompanhavam os membros da família Real neste momento difícil. Desconcertados, tentavam acalmá-los e acalentá-los, em particular a HADES, o filho legítimo, o Príncipe Cuquinha, o Arquiteto da Intervenção.


Conforme os números indicavam no painel a vitória da Democracia, era visível o encolhimento físico de HADES e da Trupe Real. Estava decretado o início do fim de uma era representada pelo Rei Frederico II, o mal Coroado. A esperança vence o medo.
Afinal: Por onde andará Rei Frederico II, o mal Coroado?
Lembrem-se: A bandeira branca pede passagem! Até breve!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

28 - ATO Nº 01 - APURAÇÕES DAS ELEIÇÕES NO FEUDO OESTE

Abrem-se as cortinas. Inicia os preparativos para a contagem dos votos que legitimará os vencedores nas urnas na eleição majoritária no FEUDO OESTE. Na platéia os figurantes principais fazem-se presentes. Todos estavam ansiosos, suas fisionomias atestavam o nervosismo, a dúvida do veredito final. Os candidatos aos cargos de Rei/Rainha, Príncipe/Princesa e Duque /Duquesa andavam de um lado para o outro aguardando o início da apuração. 

As urnas começavam a chegar. Primeiro a do Castelo, em seguida às da Província Central e lentamente às das Províncias mais distantes. A Província dos indecisos foram os últimos a entregarem as urnas no salão de apuração.


A baixa temperatura anunciava a entrada na madrugada. Os ânimos acirravam, mas a ternura equilibrava o desconforto. Afinal, estávamos próximos da comemoração da vitória da democracia. As projeções estatísticas e opinativas de boca de urna indicavam que os governos do Rei Frederico II, o mal Coroado e dos seus filhos Hades, o Príncipe Cuquinha e Medusa, a Princesa dos Espinhos Venenosos respiravam ofegantes, faltava ar, os órgãos principais davam sinais de falência.

A contagem iniciou. A tensão tomava conta dos corpos e mentes de Nobres e Plebeus que estavam trabalhando no processo de escrutinação dos votos. De repente, não mais que de repente, após a contagem da primeira urna, os presentes que pertenciam ao movimento da retomada da democracia no FEUDO OESTE soltaram suas vozes e começaram a gritar: A casa de Saúde é nossa, A casa de Saúde é nossa, A casa de Saúde é nossa (...). O clima era de Festa.

Algo esperado aconteceu: Nobres e Plebeus, após um longo tempo de sofrimento em seus ambientes de trabalho, responderam silenciosamente nas urnas ao Rei Frederico II e a toda família Real qual é o pensamento e a vontade da maioria dos trabalhadores. Votaram na liberdade, na esperança, no fim da repressão, da perseguição, do desrespeito ao próximo. Entenderam que a bandeira branca pede passagem.



Irradiantes de alegria, de felicidade, repletos de vida, de sonhos, Nobres e Plebeus do Castelo e das outras Províncias cantavam: A Casa de Saúde é Nossa, A Casa de Saúde é Nossa (...). Cada urna encerrada ampliava as manifestações. Os dados estatísticos projetados nas planilhas dos membros da comissão central mostravam o caminho para a vitória. O dia D simbolizava, materialmente, o dia da Democracia.

Sentada em um dos bancos da sala de apuração, uma das aduladoras do Rei Frederico II, o Impostor, tirou um lenço preto do bolso e enxugou o suor amarelado que tomava conta da face de Hades. A esperança de vitória tornava-se distante para o Príncipe Cuquinha. O sonho em continuar mandando e desmandando em Nobres e Plebeus estava com as horas contadas. O sonho em assumir o lugar do seu pai, Rei Frederico II, o mal Coroado caía por terra.

O que fazer? Esta pergunta inquietava, perturbava a família Real.   Aguardar o processo chegar ao seu final e, num gesto de convivência civilizatória parabenizar o vencedor, desejando boa sorte e bom trabalho, é uma atitude louvável de um homem público. Era o desejo de Nobres e Plebeus vivenciar este momento histórico.




Mas o gesto cordial, de homem público, não ocorreu. Disfarçadamente o Príncipe Hades, o Arquiteto da Intervenção, saiu da sala de apuração antes de finalizar a contagem. Cabisbaixo, dirigiu-se até a sua carruagem moderna deixando para traz, inclusive, seus correligionários. Um ato pequeno, sem vida, igual a dos filisteus do século XIX.  Lembrem-se sempre: A bandeira branca pede passagem. Até breve!